domingo, 18 de maio de 2014

Dia 18 de Maio e a secular exploração brasileira

Caio Marçal

Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus? ". Chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus. "Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo“. Mateus 18: 1-5

O “Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”,  foi instituído por lei Lei Federal no dia 18 DE MAIO. Essa decisão marca uma conquista  histórica  pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes em todo o país.  
Essa data foi escolhida em memória da menina Araceli, que no 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES),  foi a vítima de um crime bárbaro chocou todo o país. Infelizmente esse crime de natureza hedionda, até hoje está impune. Esse dia é um convite para a sociedade brasileira reflita e se conscientize em relação a esse tipo de violência que macula a vida de nossos pequeninos. Nesse sentido, apoiamos  o  “Bola na Rede – Um gol pelos direitos de crianças e adolescentes“,  que tem como eixo maior o de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo.  O Brasil é o segundo pais com o maior número de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo em todo mundo
É preciso lembrar que esse tipo de crime não alicia preferencialmente qualquer criança, mas tem como vítima preferencial  meninas pobres e negras no Brasil, o que nos lembra das raízes fundantes de nosso país. A violência baseada no poder patriarcal primeiro atingiu os indígenas, veio depois com força descomunal contra negros e negras.  Porém, são essas negras o objeto  da tara do homem branco, fazendo-as escravas sexuais.  Além do abuso direto por parte de seus senhores, as escravas era também obrigadas a se prostituir como mecanismo  de maior lucro para seus donos. Segundo Gilberto Freyre, muitas delas eram obrigadas a se prostituir desde dez, doze anos.
Ao perceber o perfil dessas que são tragadas pelo sistema de exploração sexual no turismo no Brasil é uma versão moderna de que já havia no passado, pois reproduz as relações de poder de uma sociedade que ainda não rompeu dessa lógica escravocrata e machista. 
A memória do Dia 18 de Maio convoca para a superação de uma lógica que ainda não superou essa mentalidade desumana. Nossa intercessão é que a Igreja de Jesus entenda que a criança, tida como modelo no Projeto do Reino de Deus, seja voz em favor desses pequeninos escravizados pela maldade humana. 
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Caio Marçal é missionário e é Facilitador Nacional da Rede FALE

Um comentário:

Alexandre Gonçalves disse...

Ótimo texto, Caio.
É sempre importante conectar a fala de Jesus sobre as crianças ao contexto anterior que trata das relações de poder. A maioria dos que se propõe a escrever sobre infância a partir da Bíblia se restringem a retratar as crianças somente como um exemplo moral, negligenciando o alcance das palavras de Jesus sobre as disputas de poder entre os discípulos. Tal disputa implica necessariamente no rebaixamento e na exclusão do outro, assim como ocorre nas relações desiguais de poder entre criança e adulto, mulher e homem, negro e branco, rico e pobre, forte e fraco, etc. Parabéns!