segunda-feira, 24 de maio de 2010

Juventude negra debate formação de policiais

Para jovens, segurança pública é o setor do governo que mais pratica racismo e discriminação racial

Por Tatiana Félix*

O seminário "Segurança Pública e Promoção da Igualdade Racial", realizado entre os dias 12 e 14 deste mês, em Brasília, Capital Federal, é considerado pelo movimento negro como um marco histórico no país. O motivo, segundo Elder Mahin, coordenador do Fórum Nacional de Juventude Negra (FONAJUNE), é que o evento atendeu a uma demanda deste setor, que há anos busca solução para a questão do racismo contra os jovens, tão presente na sociedade e, principalmente, nos profissionais da segurança pública.

Outro motivo de comemoração é que o FONAJUNE está integrando o Grupo de Trabalho (GT) que vai elaborar a disciplina sobre as questões étnico-raciais, num curso de formação para policiais de todo o Brasil, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça. O GT, formado durante o seminário, terá um prazo de até 60 dias para aprimorar as propostas que surgiram no evento.

Elder disse que um dos papéis do FONAJUNE neste GT é lutar para que o curso de formação para os policiais tenha uma carga horária ampla, a fim de que possa abranger conteúdo necessário para provocar uma mudança conceitual no setor. "Acreditamos também que, além da formação, deve haver um monitoramento diário que acompanhe a abordagem do policial. Não adianta apenas ter a formação, é preciso monitorar. Queremos uma mudança comportamental", enfatizou.

Ele comentou que a abordagem policial costuma ser bastante traumática e repressiva, sobretudo, sobre os jovens negros. O movimento juvenil defende que a polícia leve em conta que o jovem vive um momento de formação pessoal, e assim sendo, adote uma abordagem mais preventiva.

"A segurança pública é o setor que mais pratica o racismo. É indisfarçável e indiscutível a presença do racismo na segurança pública. Precisamos superar essa doença social", afirmou Elder.

Ele lembrou que dados da Anistia Internacional revelam que a polícia brasileira é a que mais mata jovens no mundo. Além disso, o crescimento de homicídio entre jovens no país é superior à média mundial.

"Nossas expectativas sobre os resultados deste trabalho são as melhores possíveis. Acreditamos que o país vive um momento de abertura às discussões de temas polêmicos. Esperamos que essa experiência vá além da Polícia e alcance também outras instituições públicas que são acostumadas a reforçar o racismo", finalizou.

Desde janeiro do ano passado, o Fórum de Juventude Negra articula e campanha contra o extermínio da juventude negra. O objetivo é denunciar a violência praticada contra os jovens negros no país, e, também propor um novo modelo de comportamento. "A juventude negra está lutando pelo seu direito de viver", declarou o coordenador do Fórum.

*Tatiana Felix é Jornalista da Agência de Informação Frei Tito para América Latina (Adital)

Fonte: Adital

Veja mais:
+ Campanha Nacional contra o extermínio da Juventude Negra (Blog do FOJUNE - Bahia)

Um comentário:

Facundo disse...

Parabéns Tatiana pelo texto.

Realmente, o que antes acontecia aos montes na clandestinidade, hoje acontece para toda a mídia ver.

Salários baixos, horas abusivas de trabalho, ou pré-disposição de caráter?

Não sei... Mas qualquer iniciativa para trabalhar aspectos humanos da polícia já é de muita utilidade. Pelo menos para nó, cidadãos comuns que já anda com medo da bandidagem, e de uns tempos pra cá tem que ter ainda medo da polícia também.

Um absurdo!