sábado, 30 de junho de 2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Saneamento básico e as políticas públicas do PAC*
Kadu Cayreshttp://www.olharvirtual.ufrj.br/2006/index.php?id_edicao=163&codigo=3
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Violência Social e Maioridade Criminal
A morte do menino João Hélio Fernandes no Rio de Janeiro deixou a Sociedade Brasileira em estado de choque, pois este crime conseguiu superar o insuperável, fazendo com que a violência assumisse contornos inimagináveis.
No Estado de São Paulo, em pesquisa feita pela Secretaria de Segurança Pública em 2003, mostrou-se que 3% dos homicídios dolosos e menos de 10% de outros crimes registrados no estado foram cometidos por menores de 18 anos. O número de crianças e adolescentes assassinados no Brasil, segundo dados do IBGE de 2002, é de 16 homicídios por dia de pessoas situadas na faixa dos 0 aos 18 anos.
A questão que deve ser refletida no Brasil é mais profunda, pois achar que reduzir a maioridade criminal irá resolver a violência no país é muito simplismo. A violência cometida por crianças e adolescentes parece preocupar mais a sociedade brasileira do que a violência por eles sofrida. A criança e o jovem são mais duas vítimas de um processo social pervertido e desumano que parece estar tomando conta do Brasil.
Criou-se um mito da “alta periculosidade” dos jovens infratores, abrindo-se espaço para o discurso do medo. Os meios de comunicação repercutem os crimes mais graves, principalmente aqueles cometidos por menores de um modo muito mais intenso do que eles acontecem na realidade, contribuindo assim na construção desse discurso do medo, em que os jovens infratores são vistos como ameaças para a sociedade. Diante desta ameaça, o aumento da repressão parece ser para muitos a solução ideal para se resolver o problema.
A Sociedade Civil, o Congresso Nacional, o Poder Judiciário, o Ministério Público, devem refletir com calma esta questão da diminuição da idade legal para a responsabilização criminal da criança e do adolescente. O Brasil tem, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um dos melhores instrumentos jurídicos do mundo no que se refere ao tratamento que deve ser dispensado pelo Estado e pela Sociedade para os menores de idade. Falta sim, e esta pode ser a principal causa, uma implementação mais efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente.
O grave desnível social que ainda existe no Brasil, as relações de desigualdade existentes, a sucessão de governos envoltos em escândalos e corrupção, a falta de um controle efetivo por parte do Estado Brasileiro dos meios de segurança, a falta de emprego e educação da população, a perda de referencial a ser seguido, dentre outros, são causas para o que vivenciamos hoje no Brasil.
Quais os princípios éticos e cristãos que os nossos governantes e as nossas famílias estão repassando para as jovens gerações? Que oportunidades de vida digna lhes oferecemos?
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil conclama a Sociedade Brasileira para uma reflexão profunda sobre a questão da violência no Brasil, que não respeita os limites de idade, gênero, raça ou condição social. Somos todos vítimas de nós mesmos. Que a morte do pequeno João Hélio sirva como um grito de alerta em nossas consciências.
Não à redução da maioridade penal!
Não à violência! Não à impunidade! Sim à Paz!
Texto enviado pela Comissão de Direitos Humanos do CONIC (www.conic.org.br)
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Redução da maioridade penal não diminuirá violência, diz pesquisador
SÃO LEOPOLDO, 5 de junho (ALC) – Reduzir a maioridade penal pode atender o desejo de vingança da sociedade brasileira, mas não vai diminuir os índices de violência no país, declarou o coordenador da área de pesquisa de mídia e jornalismo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), Guilherme Canela.
O pesquisador comentou a cobertura de políticas públicas sociais e o papel do jornalismo no Brasil contemporâneo, ao apresentar palestra, na quarta-feira, 30 de maio, para estudantes de Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), em São Leopoldo. Canela é mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP).
Do total de crimes cometidos no Rio Grande do Sul, 0,49% são perpetrados por jovens que, antes de algozes, são vítimas da violência. Crianças e jovens que cometem crimes hediondos não significam nada na estatística dos crimes verificados no país, comparou o pesquisador.
Já a taxa de homicídio de jovens negros na periferia da Grande Vitória é alarmante, um quadro que apresenta algumas variações nas demais capitais. “Não se trata, pois, de qualquer violência, mas da violência contra jovens de 15 a 24 anos de idade”, alertou Canela.
A ANDI surgiu em 1993, em Brasília, com o propósito de convencer a imprensa que cobrir infância e adolescência é fazer bom jornalismo. “A gente aposta que investir no jornalismo vai ter resultado na vida da criança lá na ponta”, disse Canela.
Mediante o monitoramento diário de 45 jornais do Brasil, iniciado em 1996, a ANDI constatou que o número de matérias enfocando criança e adolescentes publicadas na imprensa passou de 10,7 mil para 161,7 mil, em 2004. A qualidade desse material também melhorou, mas numa velocidade menor da verificada na quantidade.
A pesquisa diária realizada pela ANDI mostra que apenas 9% dos jornais monitorados cobram responsabilidades dos governos na gestão das políticas públicas. Canela destacou que a imprensa deve desempenhar o papel de controladora social dos governos e fiscalizadora das ações por eles implementadas.
FONTE: Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação
http://www.alcnoticias.org
quinta-feira, 14 de junho de 2007
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segunda-feira, 4 de junho de 2007
G-8, atos públicos e bebês de colo

Elter Nehemias Barbosa*
Estive no último sábado 02/06/07 em Rostock, na costa alemã do Mar Báltico, observando as demonstrações realizadas por ocasião da reunião dos líderes do G-8 em Heiligendamm (o G8 é integrado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Rússia. A reunião deste fim de semana conta também com a participação de cinco países emergentes: Brasil, China, México, Índia e África do
Sul).
Foi uma grande passeata durante o dia, sob chuva leve e vento frio de cortar o osso, que envolveu 50 mil pessoas (média entre estimativa das polícias e dos organizadores). Várias correntes de pensamento se reuniram para mais uma ação de massa em prol, grosso modo, da globalização justa e inclusiva.
No amplo espectro de opiniões representadas, houve lugar para povos sem direito a território, movimentos ambientalistas, organizações de auxilio em situações de emergência, entidades de proteção a migrantes, associações de apoio social de cunho religioso, cantores indie e grupos políticos diversos, além dos simpatizantes de baixa
especificidade (no puro estilo "Ich bin dagegen", "sou contra").
Vez por outra, alguns oportunistas se fizeram perceber, trazendo tensão a atos públicos que seriam de outra forma completamente pacíficos. Presença da polizei alemã no local dos protestos foi intensa, com pessoal preparado em diferentes níveis para controle de
distúrbios. Se por um lado era nítida a tendência confrontadora de alguns manifestantes, por outro lado a própria ostensividade do aparato policial pode ter contribuído para estimular a agressividade de alguns, gerando, ao final, feridos e danos materiais de baixa monta.
Numa nota lúdica, foi agradável ouvir um grupo de samba tocado por alemães (ritmo certo, movimento corporal ausente) e, impressionante, ver várias famílias conduzindo bebes de colo na manifestação. Ativista bom é ativista que começa cedo? De qualquer forma, contribuiu para dar tom pacífico a setores da passeata.
As atividades do encontro alternativo ao G-8 continuam nessa semana, e devem incluir uma tentativa (autorizada pelo poder público, por sinal) de bloqueio ao aeroporto local, além de ações menores contra a militarização e a guerra, em prol de agricultores e em favor de migrantes.
A atmosfera foi mais ou menos a mesma de uma passeata de abertura do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, por exemplo. Como em toda manifestação pública internacional, é difícil diferenciar A de B, saber quais as soluções por C ou D e entender os passos de E ou F. Como em todo ato cívico de massa, a base é que algum barulho precisa ser feito por A+B+C+D+E+F para estimular reflexões posteriores na sociedade em geral e no segmento político em particular.
* Elter Nehemias Barbosa é coordenador de Parcerias Institucionais do FALE
quinta-feira, 31 de maio de 2007
QUEM É O JOIO?
Estava conversando com um amigo sobre o sermão que ele havia pregado a partir da parábola do trigo e do joio. A parábola
Os que são tidos como joio, são os que vivem de maldade em maldade sem nenhuma reserva moral. Segundo Cristo este grupo de pessoas continuará o seu caminho e só será separado no final, no dia do grande juízo, isto porque não é tão fácil distinguí-los, eles podem se parecer com o trigo por boa parte do tempo.
Começamos a nos perguntar quem seria o joio? E, enquanto analisávamos as várias possibilidades, o caso de barbárie cometida contra o menino João Hélio invadiu nossa conversa e se impôs, afinal, estamos diante do mais profundo significado do que seria a maldade, a barbárie.
Quem seria o joio nesse caso tão brutal?
Um grupo de jovens sai munido de revólveres de brinquedo para conseguir dinheiro para o consumo de drogas, e acabam por provocar uma tragédia que comociona toda a nação.
Gente que sai munido de arma de brinquedo, por acaso sai premeditando um desastre, uma tragédia, uma barbárie? Parece-me difícil pensar que sim. Causa mais a impressão de que as coisas saíram de controle e, então, a barbárie.
Não há desculpas, eles precisam ser responsabilizados. Mas quem é o joio? Quem está provocando esse estado de coisas que cria a pressão necessária para um ato dessa natureza?
Por que esses moços estão nas drogas? A quem devem? Por que tanto desespero? O que parece ter-lhes tirado toda a sensibilidade? O medo do linchamento? A conclusão de que se fossem alcançados seriam mortos sem misericórdia? Teriam chegado à conclusão terrível de que eram eles ou o menino? No que esses rapazes estão inseridos?
Quem é o joio?
Como eles se tornaram viciados? Quem lhes levou à droga? A quem estariam devendo ao ponto do desespero? E quem trouxe a droga ao seu fornecedor? Como esse comércio se mantem inabalável? Como conseguem trazer os produtos que vendem? Por que não adianta prendê-los? Eles continuam a gerir os seus negócios de dentro das prisões. Aliás, as prisões se tornaram quartéis generais de grupos cada vez mais organizados? Como um estado paralelo consegue se desenvolver sem a conivência do estado oficial?
Quem é o joio?
É sempre mais fácil apelar para as soluções que parecem mais simples. Afinal, temos os responsáveis, eles confessaram. Mas, isso é assim tão simples? Executá-los seja de que forma for resolverá o problema? A violência de que são responsáveis reside neles mesmos, de modo que basta pará-los? Ou serão eles apenas a ponta de uma complexa máquina de maldades fomentada pelo lucro fácil, por um Estado conivente e por toda sorte de corrupção da máquina pública?
Quem é o joio?
Mais uma vez fala-se sobre a diminuição da idade para a responsabilização criminal. Então, a idéia é encher as cadeias de meninos e meninas menores de dezoito anos? Certamente não é para diminuirmos os crimes. Nossas instituições prisionais estão abarrotadas, não há espaço. Há um considerável número de condenados que simplesmente não podem ser presos por falta de lugar. Celas para quatro pessoas abrigam mais de uma centena. Ouvi que o juiz, que está cuidando do caso, proporá que os menores devem ser reclusos por cinco anos ao invés de três anos, como reza a lei. A justificava dele é que serão melhor recuperados pelas medidas sócio-educativas de que serão alvo nesse tempo. De que medidas sócio-educativas ele está falando? Do que acontece nos institutos de reclusão de menores, como na antiga Febem,
Estamos de luto! E por razão mais do que justa. Como não ficar indignado frente a tal violência? Como não ficar indignado frente a um sofrimento estúpido como o infringido a esta criança inocente? E como não se desesperar frente à capacidade humana de perpetrar o mal? Entretanto, como diz a Bíblia: “A ira do homem não produz a justiça de Deus.” Em nossa ira sofremos a tentação de desejar que os bandidos, que estão na mesma cadeia dos rapazes, os matem. Em nossa ira começamos a falar de punir os nossos jovens com mais rigor, quando deveríamos falar em salvá-los desse monstro que temos deixado crescer por cerca de quinhentos anos. Assim não se faz justiça, apenas se dá lugar à vingança. E com vingança não se constrói nação alguma. A vingança faz o trigo se igualar ao joio.
Que a morte desse inocente se torne o motor de uma tomada de consciência que nos leve a consertar a nossa nação. Que nos leve a repudiar toda a sorte de desperdício, e de corrupção. Que nos leve a não tolerar mais a pobreza; e o analfabetismo; e o crime organizado; e a ineficiência do Estado; e a irresponsabilidade de nossos políticos. Até quando seremos uma nação que quando começa a falar em crescimento, começa a dizer da necessidade de destruir parte de nossas florestas e de prejudicar indígenas e quilombolas? Que quando começa a falar de justiça começa a falar em punir jovens, reconhecendo que já que os condenamos a ser bandidos que os prendamos o mais cedo possível? Que nos levantemos contra a máquina que trucida esses peões e que erradiquemos as fontes de suprimento desse monstro, antes que tenhamos de concluir que o joio somos nós.
* Ariovaldo Ramos é filósofo e teólogo, além de diretor acadêmico da Faculdade Latino-americana de Teologia Integral, missionário da Sepal e presidente da Visão Mundial. É membro da equipe editorial da Edições Vida Nova.