quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pastorais FALE - Olhando pelo retrovisor

Serguem Jessui Machado da Silva – Tearfund

logo-igrejasECOcidadasA Conferëncia das Nações Unidas  que ocorreu vinte anos atrás ficou conhecida como a ECO92, e pelo menos no Brasil,  pois foi a um marco na busca pela mudança de paradigma sobre o conceito de desenvolvimento.
Naquela ocasião todos que se arriscavam na área ambiental eram vistos como  “estranhos” ou “bichos do mato”.  Uns irresponsáveis que queriam defender os animais em detrimento da via humana e do progresso. Felizmente esta visão mundou bastante e para melhor.
Olhando para trás, a ECO92 representou um avanço em muitas áreas  e poucas em outras. Como sempre a área de negócios e o mundo das empresas, em ínúmeras situações tem se apropriado da agenda ambiental e foi a que mais se adaptou e realinhou em muitos aspectos por razões de mercado e econömicas. Grande parte das práticas adotadas no “business” dizem respeito a práticas internas, mas a depredação continua pelas mesmas razões econômicas.
Na Eco92,  o  movimento ambientalista que era incipiente, ganhou dimensões globais e tem chamado atenção da mídia e sociedade civil para o fato de quão vulnerável estamos e sujeitos as grandes e pequenas castrástrofes.
Hoje, os grandes problemas ambientais foram ampliados em escala global e os governos se sentem impotentes frente aos interesses econômicos e ainda há falta de vontade política.  Este impasse é percebido particularmente em países emergentes como o Brasil, que não querem abdicar da oportunidade de crescer economicamente com as mesmas premissas dos países ditos desenvolvidos.
Ohando para atuação da Igreja na Eco92 e desde então, constatamos primeiro com tristeza e depois alegria. Os avanços foram mínimos. Naquela ocasião o número de cristãos que participavam da Eco92 era muito pequeno, em sua maioria ligados as igrejas históricas. A participação teve quase ou nenhum efeito no seio da Igreja Evangélica brasileira. Contraditoriamente cuidar da Criação, como mandato bíblico, deveria ser central na preocupação de todos os cristãos. Porém, há um crescente número de cristãos obstinados e uns poucos projetos,  que profeticamente sinalizam que a igreja não pode ser indiferente frente a eminente catrástrofe que toda humanidade está sujeita.
É com tristeza que dizemos que desde a ECO92, para os mais pobres, pouco ou nada mudou.  Os subúrbios, as periferias e favelas nas grandes metrópoles e centro urbanos denunciam  nossa insenbilidade,  descaso e nossa omissão. O que de fato nos propomos a fazer é nada frente ao descalabro global. Como se diz na gíria, não passa de “perfumaria”.
A Rio+20, depois de 20 anos, representa uma oportunidade para Igreja fazer diferença e ser relevante em sua atuação profética e na sua praxis  frentes as ameaças climáticas e ambientais.
Maranata!
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Se você quiser saber mais sobre as igrejas Ecocidadãs, CLIQUE AQUI

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Rede FALE no Encontro das Igrejas Ecocidadãs em BH

No dia 14 de abril a Rede FALE esteve presente no Encontro das Igrejas Ecocidadãs em Belo Horizonte. Caio Marçal, secretário de Mobilização da Rede FALE, partilhou uma devocional onde falou das “clamores da Criação que mesmo ferida ainda manifesta a Glória de Deus” e papel das Igrejas Ecocidadãs de defesa do meio ambiente como um ato de adoração ao Deus Criador.

Estiveram também presentes membros de diversas igrejas da cidade,que desejam promover ações locais para a sensibilização da sociedade civil para a temática ambiental em Minas. No dia 5 de maio haverá nova reunião sobre a Campanha.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Encontro das Igrejas Ecolcidadãs em BH

igrejas eco3-001

A Rede FALE que, em conjunto com diversas organizações evangélicas, assumiram a tarefa de mobilizar parte da Igreja Evangélica por ocasião da Conferëncia das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente, conhecida como Rio+20, pois acontece depois de 20 anos de uma outra Conferëncia das Nações Unidas para o Meio Ambiente,  conhecida como ECO 92. Paralelo ao evento oficial da Rio+20, haverá um evento expressivo organizado pela sociedade civil, conhecida como Cúpula dos Povos. Ambas ocorrerão na cidade do Rio de Janeiro no mës de Junho/2012.

Entendemos que esta é uma oportunidade de fazer avançar na Igreja uma maior consiciëncias quanto ao cuidar da toda de criação de nosso Deus e ao mesmo tempo participar e influir nas políticas públicas relacionadas as mudanças climáticas e ambiental. Por isso, somamos força com o Projeto das Igrejas Ecocidadãs.

Com objetivo de organizar nossas atividades em Belo Horizonte e Minas Gerais estamos convidando os irmãos e irmãs para uma reunião que acontecerá no próximo sábado, 14.04,  às 15:00 na Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, localizada na Rua Guajajaras, 1687 - Barro Preto.

Gostaríamos de convidá-lo a participar e se envolver  e que convide outros irmãos que pudessam se incorporar nesta causa.

Desde já, contamos com seu apoio e participação.

Em Cristo

p/Coletivo de Organizações de Igrejas Ecocidadãs

Serguem e Caio Marçal

quarta-feira, 28 de março de 2012

Um povo que vive em tendas

Por Matthew Creber*
Traduzido por: Marcus Vinicius Matos

Já faz algumas semanas desde que o movimento Occupy St. Paul foi removido, sem cerimônias, de seu acampamento em Londres. 

No local da ocupação não há quase nenhuma evidência de sua presença anterior. Os manifestantes estiveram lá por cinco meses, o movimento virou notícia nacional, e agora parece ter se dissipado. Eles não são mais os queridos do ciclo de notícias da grande mídia, e não são mais um espinho no lado da Catedral de St. Paul.

Por muitas razões, isto é lamentável. É uma pena que não tenhamos mais a oportunidade de assistir a Igreja institucional retorcer-se dentro de nós, ao tentar conciliar a sua vocação para os pobres com a burocracia e os custos necessários para sustentar um prédio opulento, e o amor por seus devotos de tantas nacionalidades. É uma pena não termos mais uma voz no centro de Londres que coloque em questão as próprias estruturas em que confiamos para manter nossa economia e sociedade.

Mas é importante lembrar um aspecto específico da atuação dos jovens que fizeram o movimento Occupy em Londres: eles ficaram em tendas. E as barracas são, pela sua própria natureza, um abrigo temporário. Elas são projetadas para serem armadas rapidamente, embaladas de forma rápida e por terem um curto e limitado período de tempo. Elas nos mantêm móveis, flexíveis, e nos impedem de nos tornarmos em uma instituição. Se o movimento occupy permanecesse onde estava indefinidamente, será que ele teria permanecido vivo, desafiador e contra-cultural? Ou ele teria se petrificado em um movimento político, preso em suas próprias idéias? A remoção das barracas não é uma derrota, nem o fim do Occupy em Londres. É uma evolução. Um movimento que sai das ruas para as mentes, jornais, e blogs tagarelas que sempre foram, na realidade, a fonte de sua força durante todo esse tempo.

O triste é que, como cristãos, estamos destinados a ser um povo que vive em tendas. Na sequência de uma coluna de fogo, alojados em um tabernáculo, os israelitas armavam suas tendas onde quer que seu Deus estivesse. Por quarenta anos eles vagaram no deserto, e Deus não permitiu que ficassem confortáveis, recusou deixá-los sossegar. O pensamento judaico foi marcado pelo exílio – pela idéia de que a fé pode perseverar em face de deslocamento e da dispersão. Quando os discípulos encontraram Moisés e Elias em cima de uma montanha, qual foi a sua resposta? "Vamos fazer abrigos!"

O apóstolo Paulo fez tendas para sobreviver – e não ser um fardo para os membros mais caridosos da Igreja primitiva.  Isto o manteve independente, afiado; poderíamos dizer que o manteve acima dos caprichos das instituições de fé. Isso significava que ele poderia ser livre para falar como ele escolhesse, manter seu discurso provocador, e mesmo ir contra os saberes da sua época. 

Contudo, com o passar dos anos, ficamos preguiçosos. Nós construímos casas de pedra para Deus, e com isso, perdemos nossa capacidade de desafiar – de ser uma voz profética. É comum que mesmo as igrejas mais modernas cometam o erro de igualar projetos de construção e crescimento físico, com sucesso e autenticidade.

Em nenhum lugar esse conflito se tornou mais visível do que quando manifestantes se levantaram para ocupar a igreja de St.Paul, em Londres. A igreja, enraizado na pedra fundamenta da cidade, e dependente de seus milhões de visitantes e turistas para preservar seus edifícios monumentais, lutou para re-encontrar a sua voz profética -, enquanto, os manifestantes, ágeis e rápidos, e com nada a perder além de suas moradias de lona, eram livres para ser mais desafiadores.

Como seria nossa fé sem os edifícios eclesiásticos? Talvez isso nos tornasse mais dinâmicos, mais desafiadores. Nós seríamos cristãs e cristãos mais autênticos em nossas comunidades, menos dependentes de lugares e prédios para nos definir. Será que não deveríamos , então, voltar às nossas raízes, e ser um povo que vive em tendas?

* Matthew é colaborador do site da rede FALE em Londres (SPEAK Network UK). 

Fonte: SPEAK Blog

quinta-feira, 8 de março de 2012

Oremos pelas mulheres


Por Morgana Boostel*


Todos os anos, no dia 8 de março, lembramos do papel das mulheres em nossa sociedade. Um papel de luta, de vida e de coragem.

Durante muito tempo, as mulheres têm sido vitimas de opressão, não apenas por parte dos homens (eles não são vilões sozinhos), mas também por conta de toda uma organização social, que nos coloca em posição inferior de estima e vida. Uma sociedade doente, pecadora, e que precisa rever seus valores. Uma sociedade que ainda permite a violência doméstica que leva tantas mulheres à morte. Uma sociedade que ainda paga menores salários as mulheres.

Hoje, infelizmente, muitos acabam por justificar a opressão contra as mulheres com argumentos bíblicos, distorcendo a palavra de Cristo, que a todo tempo nos chama à libertação e amor. No exemplo de Cristo sentimos o amor, a graça e o cuidado daquele que não excluía os marginalizados, que tornava as mulheres parte da história.

Num tempo em que as mulheres não eram sequer contadas, em que a elas era negado o direito de aprender com os grandes mestres (rabis), Jesus se coloca a ensiná-las (Lucas 10.39) e não se vê diminuído por ser sustentado por mulheres (Lucas 8.3). Jesus revelou seu ministério aos samaritanos por meio de uma mulher (João 4.39). Jesus creditou confiança ao testemunho das mulheres, foi a elas que se revelou e mandou darem testemunho após a ressurreição (Mateus 28.10), isso em um tempo em que o testemunho de uma mulher nada valia.

Neste dia, em que relembramos a luta de tantas mulheres, gostaria de convidar você a orar para que essa realidade seja transformada. E como acreditamos que nossa oração não pode ser dissociada da prática, que sejamos baluartes dessa libertação, dessa manifestação do caráter de Cristo. Que nossa luta seja a favor da justiça!

Oremos então:

  • Para que os direitos das mulheres sejam plenamente reconhecidos em todos os níveis da sociedade;
  • Pelo fim da violência doméstica que na América Latina e Caribe atinge entre 25% a 50% das mulheres;
  • Pela igualdade nas condições empregatícias, mulheres ganham até 40% a menos que homens na mesma função;
  • Para que o acesso a educação seja igualitário entre homens e mulheres.

E que nós mulheres, possamos aprender com o exemplo de algumas, que dedicaram suas vidas a viver o reino de Deus e sua justiça! Lembremos de Dorothy Stang, Madre Tereza de Calcutá, Zilda Arns, Dorothy Day, Elizabeth Fry, Rosa Parks, Catherine Booth, Simone Weil, Sojourner Truth, Frida Vingren, Ruth Siemens, entre tantas outras!


*Morgana Boostel é Secretária Executiva da Rede FALE e mestranda em Ciências da Religião na UMESP.