terça-feira, 8 de junho de 2010

Evangélicos, memória sócio-política, e formação de novas lideranças

Projeto "Juventude, Política e Religião" resgata atuação política de jovens evangélicos nas décadas de 1950-1960

Por Marcus Vinicius Matos*

O primeiro contato com o material é sempre marcado pela surpresa. Tanto o público acadêmico quanto o religioso são surpreendidos ao saber que a juventude evangélica brasileira defendeu em um passado recente, e de maneira organizada, bandeiras sociais e políticas consideradas "revolucionárias" - como reforma agrária, distribuição de renda e diversidade cultural. Mas o espanto não é de hoje. Nas palavras do sociólogo Waldo Cesar (1923-2007), um dos entrevistados no projeto, todos "ficavam surpresos em saber que a igreja evangélica estava pensando o Brasil em termos de uma nova nação".

Em 2005, um grupo de pesquisadores de várias partes do país se reuniu no Rio de Janeiro e na cidade de Mendes para realizar uma série de entrevistas com pastores, acadêmicos e lideranças da juventude evangélica das décadas de 1950-1960. O objetivo inicial era promover um resgate histórico da atuação política da juventude cristã em um período marcado na história do Brasil e da América Latina como tempos de grandes agitações, transformações e esperanças. No caso brasileiro, fortes oposições ideológicas acirraram disputas em torno das bandeiras do desenvolvimento e do nacionalismo na esteira dos processos de profundas mudanças sociais que afetavam o país: urbanização, industrialização, intensa mobilização política e progressivo amadurecimento democrático. O foco das entrevistas eram os jovens líderes do Setor de Responsabilidade Social da Igreja - ligados à extinta Confederação Evangélica do Brasil (CEB) - e da União Cristã de Estudantes do Brasil (UCEB), hoje com idades entre 60 e 80 anos.

Assim se iniciava um longo trabalho de pesquisa, coordenado pelos pesquisadores Flávio Conrado (ISER) e Alexandre Brasil (UFRJ), que coletou entre 2005 e 2006 aproximadamente 16 horas de entrevistas. Em 2007, o ISER inicia uma parceira com a Rede FALE - www.fale.org.br -, e o projeto ganha o apoio das organizações evangélicas Visão Mundial e Basiléia. Com este novo aporte, produziu-se um primeiro material audiovisual: o curta metragem "Cristo e o processo revolucionário brasileiro", que desde então vem sendo exibido em diversos eventos acadêmicos - como o XIV Congresso Brasileiro de Sociologia - e eventos promovidos por organizações da juventude evangélica.

Hoje, o projeto "Juventude, Política e Religião" é desenvolvido por ISER e Rede FALE, e já conta com o apoio do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI-Brasil), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e da Federação Universal de Movimentos Estudiantis Cristãos (FUMEC). O objetivo geral da pesquisa-intervenção é resgatar e analisar a memória relacionada à participação de jovens ligados às igrejas protestantes no movimento estudantil dos anos 1960; apresentá-la, e discuti-la com jovens evangélicos, estudantes e jovens de outras religiões. Para isso, serão produzidos mais vídeos - a partir do material de acervo disponível e da realização de novas entrevistas.

Assim, espera-se reunir informações e experiências que servirão de subsídio para a reflexão das gerações atuais acerca da participação sócio-política de jovens.

*Marcus Vinicius Matos é secretário executivo da Rede FALE, pesquisador associado do ISER - Instituto de Estudos da Religião, e cursa mestrado em Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Fonte: Boletim Plural nº 15

sábado, 5 de junho de 2010

Diaconia recebe visita de representante da Rede FALE

Por Emanuel Rodrigues* 

redefale A Diaconia recebeu, ontem (3), a visita de Morgana Boostel, Secretária Executiva Adjunta da Rede Fale. A visita acontece a partir de um contato feito entre as duas organizações no ultimo encontro dos parceiros da Tearfund que aconteceu em São Paulo (SP). 

O objetivo é que a representante da Rede conheça as ações realizadas por Diaconia durante a VIII Semana do Meio Ambiente que acontece em Afogados da Ingazeira (PE) e as atividades desenvolvidas na área da agricultura familiar. Além disso, a visitante pretende pensar ações conjuntas que possam ser feitas posteriormente.   

Com isso, o Núcleo de Comunicação da Diaconia aproveitou para fazer uma entrevista com Morgana Boostel, que além de Secretaria Executiva Adjunta da Rede Fale, é psicóloga, mora em Vitória (ES), tem 23 anos, é membro da 1° Igreja Batista em Goiabeiras, fez parte da Aliança Bíblica Universitária (ABUB) e atualmente faz parte do Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE).  

Diaconia – O que é a Rede Fale?

Morgana – O Fale é uma rede de pessoas que oram e agem contra a injustiça em vários lugares do Brasil, também um processo de formação política e de conscientização das pessoas para os problemas econômicos e os impactos da desigualdade social. 

Diaconia – Como a Rede desenvolve suas ações em seus locais de atuação? 

Morgana – Nós promovemos campanhas de mobilização e oração que envolve uma temática. A proposta é distribuir por todo o país material de informação para a realização de ações e momentos de oração. A partir disso promovemos debates e outros eventos para a divulgação da campanha. 

Diaconia – Qual o maior desafio do Fale atualmente? 

Morgana – Precisamos trabalhar mais com os grupos locais para trabalhar nossas campanhas numa perspectiva que contemple as necessidades e desafios locais ou da região que o grupo está inserido. O objetivo é identificar os direitos que estejam sendo infligidos e trabalhá-los localmente. 

Diaconia – Você pode citar algum exemplo do que está sendo feito? 

Morgana – O grupo do local do Paraná vem realizando várias ações de conscientização da população para alguns problemas locais, eles vem realizando atos contra a situação dos transportes públicos, além disso, participaram da ultima Marcha para Jesus com faixas denunciando a situação dos órfãos, dos pobres e das viúvas e transformando o evento em Marcha com Jesus e em favor dos desassistidos e pela justiça social. Esse é só um dos vários exemplos que existem em nossos grupos.

Diaconia – Qual a expectativa da Rede Fale a partir dessa vista a Diaconia?

Morgana – Temos o objetivo de conhecer, aprender e somar com o que está sendo feito no campo da juventude, comunicação e outros campos de ação.  

Diaconia – Como está sendo feito o trabalho com as igrejas e quais avanços nessa área? 

Morgana – Como um de nossos objetivos é mobilizar as pessoas em oração pelos temas que trabalhamos temos tido uma boa aceitação tanto dos membros das igrejas como dos lideres e pastores. Nossa proposta é atuar cada vez mais junto das igrejas na realização de nossas campanhas. Um bom exemplo foi a participação das Assembléias de Deus de Belém (PA) durante a realização do Fórum Social Mundial em 2009, eles cederam espaço em seus programas de TV, pois  eles têm um canal de televisão, como deixaram uma equipe de jornalismo cobrindo todas as nossas atividades durante o Fórum.  

Diaconia – Tem sido positiva a participação da juventude evangélica nas ações da Rede? 

Morgana – A maior parte do público que atua no Fale é composto de jovens. O que temos hoje é uma grande participação dessa juventude em espaço de articulação política e de movimentos sociais, algumas vezes o número de jovens evangélicos nesses espaços tem sido tão significativo quanto aos que não são. Precisamos enquanto Rede continuar trabalhando na formação política da juventude cristã.

Diaconia – Sobre as Eleições 2010?

Morgana – Acreditamos que podemos potencializar os debates nas nossas redes locais sobre a importância desse momento para a sociedade. Olhar como um momento estratégico para a formação política. Independente de quem será eleito desejamos que exista um espaço de justiça social que possibilite reais mudanças nas áreas política, educacional e social que acabe com as desigualdades em nosso país. 

Diaconia – Sobre Meio Ambiente?

Morgana – Desde 2006 temos trabalhado esse tema, especificamente com a questão do saneamento ambiental em Marabá (PA), que foi tema de uma de nossas campanhas nacionais. O meio ambiente tem sido violado como um direito e precisa ser respeitado.  

Diaconia – Sobre Juventude? 

Morgana – Atualmente estamos no Conselho Nacional de Juventude e com o grande desafio de representar os nossos jovens nesse espaço de articulação mobilização política. Desde 2007, o tema juventude é um dos eixos da campanha nacional do Fale e temos o objetivo de fortalecer os espaços de controle social e articular com outros movimentos sociais a implementação de políticas públicas na área da juventude.  

*Emanuel Rodrigues trabalha no Núcleo de comunicação da Diaconia.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Segurança pública: as UPP em conflito

Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) reabrem debate sobre o papel da polícia nas comunidades do Rio de Janeiro

Por Marília Gonçalves

Duas horas da manhã. É quando as caixas de som da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, devem ser desligadas, mesmo nos finais de semana. Os responsáveis por garantir que esta regra seja cumprida são os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do local, a primeira implantada no Rio de Janeiro, em dezembro de 2008. Hoje, já existem outras oito unidades espalhadas por favelas da cidade.

Na madrugada de sábado, 22 de maio, o rapper Emerson Nascimento, conhecido como MC Fiell, foi preso por policiais da UPP por desrespeitar esta regra. Segundo ele, os policiais entraram no bar onde estava com amigos às duas horas da manhã pedindo que o som fosse desligado. Fiell então começou a ler, no microfone, a lei do silêncio, alegando que a festa poderia continuar com o som mais baixo. Neste momento, segundo o relato do artista, os policiais desligaram os equipamentos de som na tomada e lhe foi dada a voz de prisão por desacato à autoridade. Fiell ainda afirma que desceu as escadarias do Santa Marta sob agressões dos policiais.

Desde a implantação da UPP, os moradores do Santa Marta chamam a atenção para a relação entre a polícia e a comunidade. Uma queixa bastante comum era sobre o desrespeito nas revistas pessoais e buscas nas residências, questão que parece já estar superada. No entanto, outros conflitos com policiais da Unidade continuam surgindo. Foi o que motivou a organização comunitária Visão da Favela Brasil, da qual Fiell faz parte, a produzir a Cartilha Popular sobre Abordagem Policial. O objetivo da cartilha era esclarecer aos moradores quais são os seus direitos, e alerta-los acerca de situações de possível coação, como, por exemplo, a exigência de apresentarem documentos, já que a lei não obriga nenhum cidadão a isso.

Na Cidade de Deus, favela localizada na zona oeste do Rio de Janeiro que já recebeu uma UPP, também existem histórias de abusos de policiais. O Observatório Notícias & Análises conversou com o presidente da Associação de Moradores da comunidade, Alexandre Ferramenta, que relatou algumas delas. Os moradores que sofreram agressões não querem ser identificados, por questão de segurança. Segundo Alexandre, não são todos os policiais da unidade que praticam atos ilegais. Pelo contrário, apenas uma minoria deles que, nos finais de semana, com a saída do comandante, “se consideram donos da comunidade”. “Eles batem, agridem, xingam idosos, acabam com festas familiares. As lideranças não são contra o projeto da UPP, mas contra esse tipo de policial. Não queremos que a UPP vire uma milícia de farda”, explica ele.

Itamar Silva, do Ibase. Foto: Ratão Diniz / Imagens do Povo
Itamar Silva, do Ibase.
Foto: Ratão Diniz / Imagens do Povo

O objetivo de pacificar
Originalmente, os policiais da UPP são "uma tropa especializada e tecnicamente preparada para exercer ações de pacificação e manutenção da ordem nas comunidades carentes" (Decreto nº 41.650). O objetivo é formar uma polícia diferenciada, mais humana e menos militarizada para atuar dentro das favelas. Para o jornalista, morador do Santa Marta e coordenador do Ibase, Itamar Silva, o que causa este desequilíbrio entre teoria e prática é o tipo de orientação que vem sendo dada aos policiais, causando uma imprecisão sobre qual é o papel da polícia. “Eles estão atuando como organizadores do cotidiano da comunidade. O papel da polícia é tirar o tráfico? Então isto já está feito”, questiona.

Para Mário Pires, geógrafo e membro da coordenação do Observatório de Favelas, a questão dos conflitos está ligada à falta de mecanismos que controlem as ações da polícia pacificadora. “Tem que haver controle social sobre as UPPs. É importante que elas prestem contas à sociedade, que possuam legislação específica e que a sociedade conheça essa legislação”, afirma.

Itamar defende que a comunidade participe dos processos que dizem respeito ao território, definindo questões como a do som alto, por exemplo, buscando um acordo e evitando os exageros. A lei do silêncio existe e deve ser cumprida por todos, mas em muitos outros lugares da cidade essa pressão pela ordem não se dá da mesma forma. “Essas questões não devem ser tratadas pela polícia e de forma arbitrária. Assim, estamos apenas trocando um poder por outro. A médio prazo isso prejudica a cidadania”, diz. O jornalista afirma ainda que, se a lei que vale para outras áreas da cidade vale também para o Santa Marta, então os moradores desta comunidade devem ter garantido muitos outros direitos como saneamento e iluminação. “Vamos aplicar, então, todas as leis”, afirma. Mário conclui no mesmo sentido, lembrando que a presença do Estado é importante, mas que “as UPPs precisam ser acompanhadas de políticas integradas no campo da oferta de serviços e equipamentos”.

Fonte: Observatório das Favelas

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Brasil viola direitos humanos, diz Anistia

Londres, quinta-feira, 27 de maio de 2010 (ALC) - A Anistia Internacional, organização não governamental (ONG) sediada em Londres que monitora violações contra direitos humanos, denunciou o Brasil pelas atrocidades praticadas em conflitos agrários, contra povos indígenas e em presídios.

Relatório da organização apontou especificamente para a atuação das polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo. O chocante, alega, é que a violência é praticada por agentes de órgãos de segurança ou com a conivência destes.

O caso mais grave no relatório 2009 (http://www.br.amnesty.org/?q=node/316) é o da violência sofrida pelos índios guarani-kaiowá, da região de Dourados (MS), mostrado no relatório, especialmente a denúncia de que o governo do Mato Grosso do Sul e fazendeiros fizeram lobby nos tribunais para impedir a demarcação de terras indígenas.

A situação se agravou diante da resistência e organização dos indígenas, diante do que os fazendeiros contrataram pistoleiros para atacar aldeias da tribo guarani-kaiowá. A Polícia registrou a morte do indígena Genivaldo Vera e o desaparecimento de Rolindo Vera, mas os processos estão parados.

Índios do acampamento Apyka'y também sofreram ao serem expulsos de suas terras, nas quais podem comprovar residência, sendo obrigados a viver em condições precárias, à beira de rodovias.

O relatório menciona a situação da violência no tratamento a camponeses em conflitos por terra no país, citando os 20 assassinatos cometidos por policiais ou pistoleiros contratados por proprietários de terra, entre janeiro e novembro de 2009.

A situação carcerária no país, marcada por superlotação e precariedades de natureza administrativa, também foi citada pelo relatório, com destaque para os problemas do presídio rural em Viana, no Espírito Santo, e do presídio de Urso Branco, em Rondônia.

Entre os problemas apontados pela Anistia Internacional estão "a falta de supervisão independente e os altos níveis de corrupção".

O relatório enfatiza que "os detentos continuaram sendo mantidos em condições cruéis, desumanas ou degradantes. A tortura era utilizada regularmente como método de interrogatório, de punição, de controle, de humilhação e de extorsão. A superlotação continuou sendo um problema grave. O controle dos centros de detenção por gangues fez com que o grau de violência entre os prisioneiros aumentasse".

A letalidade policial nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo preocupa a tradicional entidade de defesa de direitos humanos. Sem deixar de mencionar a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), seus avanços na diminuição da criminalidade e relacionamento com as comunidades no Rio de Janeiro, a Anistia não omite as constantes denúncias de crimes de morte e arbitrariedades praticadas pelas corporações policiais das duas maiores capitais brasileiras.

O representante da ONG, Tim Cahill, admite a disposição das autoridades brasileiras em melhorar a situação dos direitos humanos, mas não pode negar que denúncias continuem se repetindo, ano após ano. Há uma distância entre o discurso das autoridades e a implantação objetiva das medidas. "Há um vácuo entre o entendimento das autoridades de implantar reformas, garantir direitos e a implementação verdadeira e concreta. Esse entendimento das autoridades é sempre contrariado por interesses econômicos e políticos”, disse.


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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Juventude negra debate formação de policiais

Para jovens, segurança pública é o setor do governo que mais pratica racismo e discriminação racial

Por Tatiana Félix*

O seminário "Segurança Pública e Promoção da Igualdade Racial", realizado entre os dias 12 e 14 deste mês, em Brasília, Capital Federal, é considerado pelo movimento negro como um marco histórico no país. O motivo, segundo Elder Mahin, coordenador do Fórum Nacional de Juventude Negra (FONAJUNE), é que o evento atendeu a uma demanda deste setor, que há anos busca solução para a questão do racismo contra os jovens, tão presente na sociedade e, principalmente, nos profissionais da segurança pública.

Outro motivo de comemoração é que o FONAJUNE está integrando o Grupo de Trabalho (GT) que vai elaborar a disciplina sobre as questões étnico-raciais, num curso de formação para policiais de todo o Brasil, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça. O GT, formado durante o seminário, terá um prazo de até 60 dias para aprimorar as propostas que surgiram no evento.

Elder disse que um dos papéis do FONAJUNE neste GT é lutar para que o curso de formação para os policiais tenha uma carga horária ampla, a fim de que possa abranger conteúdo necessário para provocar uma mudança conceitual no setor. "Acreditamos também que, além da formação, deve haver um monitoramento diário que acompanhe a abordagem do policial. Não adianta apenas ter a formação, é preciso monitorar. Queremos uma mudança comportamental", enfatizou.

Ele comentou que a abordagem policial costuma ser bastante traumática e repressiva, sobretudo, sobre os jovens negros. O movimento juvenil defende que a polícia leve em conta que o jovem vive um momento de formação pessoal, e assim sendo, adote uma abordagem mais preventiva.

"A segurança pública é o setor que mais pratica o racismo. É indisfarçável e indiscutível a presença do racismo na segurança pública. Precisamos superar essa doença social", afirmou Elder.

Ele lembrou que dados da Anistia Internacional revelam que a polícia brasileira é a que mais mata jovens no mundo. Além disso, o crescimento de homicídio entre jovens no país é superior à média mundial.

"Nossas expectativas sobre os resultados deste trabalho são as melhores possíveis. Acreditamos que o país vive um momento de abertura às discussões de temas polêmicos. Esperamos que essa experiência vá além da Polícia e alcance também outras instituições públicas que são acostumadas a reforçar o racismo", finalizou.

Desde janeiro do ano passado, o Fórum de Juventude Negra articula e campanha contra o extermínio da juventude negra. O objetivo é denunciar a violência praticada contra os jovens negros no país, e, também propor um novo modelo de comportamento. "A juventude negra está lutando pelo seu direito de viver", declarou o coordenador do Fórum.

*Tatiana Felix é Jornalista da Agência de Informação Frei Tito para América Latina (Adital)

Fonte: Adital

Veja mais:
+ Campanha Nacional contra o extermínio da Juventude Negra (Blog do FOJUNE - Bahia)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Rede FALE na Marcha para Jesus de Curitiba

 marcha24

O FALE Paraná participou da Marcha para Jesus em Curitiba. O intuito é faz do evento uma “Marcha com Jesus”, assim sendo, marchar em favor do órfão, viúva, dos pobres e desassistidos de nossa época, pela justiça social em nossos tempos. As faixas principais do movimento tinha as seguintes mensagens:

“Podemos servir a Deus e ao Dinheiro? “(Mat. 06:24) (sobre o escabroso vídeo da oração de evangélicos agradecendo pelo recebimento de dinheiro ilícito, ligados ao governador Arruda no Distrito Federal, cassado por infidelidade partidária e acusado de coagir testemunhas e obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção no governo)

“Atos secretos da Assembléia Legislativa do Paraná”. Deputados Evangélicos, cadê vocês ? ...que corra a justiça como um rio impetuoso. Amós 5:24” (Investigações e denúncias internas mostram que o órgão editava atos secretos para fazer nomeações e demissões de servidores fora do Diário Oficial, um grande esquema para a criação de funcionários-fantasma).

"O que me assusta não é a violência de poucos, mas o silêncio de muitos" Pr Martim Luther King

marcha4Nos cartazes e entre a multidão presente, os pedidos de perdão dos pecados sociais:

pela idolatria ao dinheiro, pelo individualismo (comparado à Oração do Pai NOSSO), perdão pelo consumismo (...Cuidado! A vida de um homem não consiste na quantidade de bens que possui Lucas 12:18), perdão por nossa omissão frente as injustiças à nossa volta.

Abaixo segue o relato de nosso articulador Douglas Rezende:

“A reação das pessoas foi de surpresa, mas pela atenção que nos deram, pelos acenos de cabeça, pelas fotografias e filmagens das faixas, também foi de concordância. A impressão que tivemos é de que muitos tem tudo isso explodindo dentro do peito, mas por algum motivo, deixam lá guardado, em silêncio, outros já começaram a ecoar suas vozes.

Quando a tradicional fala dos políticos convidados estava em curso, estendemos a faixa sobre os “Atos secretos” da Assembléia Legislativa d Paraná no meio do povo, cobrando justiça, onde todos os líderes do palco puderam ver. Infelizmente, na tradicional oração pela cidade, o tema da faixa não foi citado, ficou em silêncio.

Já um grupo de hip hop, durante a caminhada, de cima de um caminhão de som improvisou um RAP com as letras dos cartazes, em outro momento uma moça com quem conversei disse “eu sou evangélica e nunca vi isso, vou procurar vocês na net”, também vários pastores nos deram palavras de apoio, fizemos contato com um grupo que luta em Curitiba pela paz no trânsito e com vários irmãos que tem “Fome e sede de justiça”.

marcha36 Uma rede de televisão se interessou pelo que tínhamos a dizer, então FALAMOS, e logo após chegaram algumas pessoas da organização da Marcha nos impondo “gentilmente” que retirássemos a faixa que denunciava a oração da propina, disseram que era muito agressiva e que o objetivo ali era o da união do povo evangélico. Inconformados explicamos o que estávamos fazendo como evangélicos, perguntamos se textos bíblicos são agressivos, se agressiva não é a corrupção.

marcha41Informamos que não iríamos retirar as faixas (afixadas nas grades da Ass. Legislativa) e cartazes, e  fizemos o que havíamos planejado anteriormente caso uma situação como esta se concretizasse, juntos com o Pr Werner e o Beto, ambos da REPAS, que estavam passando por alí providencialmente neste momento, nos reunimos justo as faixas e cartazes, ajoelhamos e como Jeremias oramos para que o Senhor da Justiça se fizesse presente.

Após este fato, durante o evento, começamos uma ação de coleta de lixo, pois haviam muitos papéis e garrafas jogados no chão e espalhadas por todo local, o que causou uma reação em cadeia, várias pessoas começaram a nos ajudar, em alegria por estar fazendo algo ou por constrangimento pelo que os outros estavam fazendo. Algumas pessoas nos cumprimentaram pelo trabalho, agradecendo à Deus, mas curiosamente continuaram imóveis. Depois da limpeza encaminhada, tivemos apoio de alguém do palco que falou ao microfone para que as pessoas ajudassem na limpeza, mais alguns começaram o trabalho que em pouco tempo transformou o lugar”.