domingo, 16 de maio de 2010

Negros: desprezo na infância, violência na juventude

(7'02'' / 1.62 Mb)  -  “Art. 1º É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil. Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.” Proclamadas pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1988, estas palavras colocaram fim à escravidão que, durante 350 anos, vitimou aproximadamente 11 milhões de africanos, além de seus descendentes nascidos no Brasil.

Passados 122 anos, todos os indicadores sociais apontam que a Abolição não foi capaz de garantir condições de vida dignas à população negra. Substituídos pela força de trabalho européia, não puderam nem mesmo compor a classe trabalhadora assalariada da época, restando como opção a informalidade.

O Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas (IPEA) calcula que, caso sejam mantidas as políticas de ações afirmativas vigentes, os negros só atingirão a renda média dos brancos no ano de 2040. Hoje, a diferença salarial é de 53%. Na educação, a diferença é maior ainda. Apenas 5% da população negra têm formação superior. Entre os brancos, 18% já passaram pela universidade.

Essas diferenças sociais marcadas pela cor da pele são resultado de uma política que buscava o embranquecimento da população, logo que foi abolida a escravidão. Essa é uma das conclusões da professora Márcia das Neves, cuja dissertação de mestrado investigou a influência dos estudos do médico e antropólogo Raimundo Nina Rodrigues na formação cultural da sociedade brasileira.

“Na questão da eugenia, que busca o melhoramento da raça, o Nina Rodrigues tinha essa preocupação de saber quem seria a população que dominaria o Brasil. Os negros estavam aumentando em quantidade, estavam se misturando sem certo controle, o que fazia aumentar a quantidade de mestiços. Quanto mais misturado, mais problemas ele previa nesse indivíduo final.”

O pensamento eugenista defendia a ideia da existência de raças humanas e pregava a supremacia dos arianos sobre os demais grupos étnicos. A professora revela que essa ideia foi assimilada pela população, que passou a ignorar e até mesmo negar a violência das relações raciais no Brasil.

“É até difícil colocar esse debate, mesmo em sala de aula. Eu sou professora, dou aula na periferia e tenho dificuldades de falar desse tema. Apesar de a maioria dos alunos serem negros ou mestiços, eles não aceitam essa discussão e têm a visão de que quem coloca esse tema em discussão é racista. Acreditam que é melhor fazer de conta que ele não existe, que não tem racismo e todo mundo é igual.”

Márcia das Neves alerta para uma realidade que expõe a sutileza do racismo e se repete cotidianamente, sobretudo na sala de aula, ambiente no qual a maior parte dos professores não escondem a preferência pelas crianças brancas e o desprezo pelas demais.

“Isso está implícito nas pessoas. Quando você vê alguém elogiando um aluninho, dizendo que ele é bom, ele não tem características de negro. Um outro aluno do qual dizem ser um peste, ser terrível que ele não se desenvolve direito e é preguiçoso – mesmo que não seja –, você percebe que é um aluno que tem as características de negro.”

A resistência do quilombo dos  Palmares, a intransigência de Canudos e as revoltas dos Malês e da Chibata são celebradas pelo movimento negro como símbolo da luta por liberdade e igualdade. No século 20, diversas organizações surgiram a partir de tensões sociais provocadas pelo racismo e pela repressão dirigida aos negros. É o caso do Movimento Negro Unificado (MNU), criado em 1978 como resposta à discriminação racial sofrida por quatro jovens atletas da equipe de voleibol do Clube de Regatas Tietê. Na época, eles eram proibidos de entrar na piscina do clube.

Milton Barbosa, fundador e integrante da coordenação nacional do MNU, revela que outro acontecimento, muito comum em nossos dias, também foi determinante para a organização da juventude negra.

“Um outro fato foi a prisão,tortura e morte de Robson  vieira da Luz, trabalhador e pai de família, acusado de furto na feira. Ele foi preso e torturado no 44º Distrito Policial de Guaianazes. Foram basicamente esses dois motivos imediatos que fizeram com que a juventude negra da época criasse o Movimento Negro Unificado.”

Mais de 30 anos após a morte do feirante, a tragédia continua se repetindo. No mês em que se comemora a dia da Abolição da escravidão no Brasil, o movimento negro cobra das autoridades o fim daquilo que chamam de genocídio negro.

Os meios de comunicação estão mostrando freqüentemente exemplos dessa violência. Eduardo Luís Pinheiro dos Santos foi encontrado morto no último dia 10 de Abril, após ser torturado. Alexandre Santos foi espancado até a morte na porta de casa, diante da mãe. Ambos foram vítimas da Policia Militar do Estado de São Paulo.  Ambos eram negros.

O professor de História e integrante da Uneafro Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para Negras(os) e Classe Trabalhadora) Douglas Belchior, explica que a repressão policial foi germinada no período da escravidão.

“A primeira Polícia no Brasil eram os capangas que corriam atrás dos escravos fujões. A Polícia tem no seu nascimento uma função objetiva e clara de coagir a população negra. Não tem jeito, isso infelizmente se repete e se ampliou, com fim da escravidão, para todos os pobres.”

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) prevê para um período de sete anos o assassinato de mais de 33 mil adolescentes no Brasil. Em algumas cidades do país, a probabilidade de um jovem negro ser morto é 40 vezes maior que um branco. Diante dos números, Belchior não vê motivos para se festejar o Dia da Abolição.

“Os dados da realidade, já há alguns anos, não permitem que o movimento negro celebre o dia 13 de maio como um dia lembranças festivas. O mais escandaloso motivo para não festejar é justamente a implementação de uma verdadeira política de extermínio da juventude negra, em vigor nas grandes cidades brasileiras.”

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

12/05/10

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terça-feira, 11 de maio de 2010

Rede FALE no Mutirão de oração em favor da criança e adolescente

Leia abaixo maiores informações sobre como participar do mutirão

O Mutirão de Oração Por Crianças e Adolescentes em Situação de Risco é uma iniciativa global de mobilização de igrejas e de cristãos em favor das crianças e dos adolescentes em situações extremas de vulnerabilidade. Acontece sempre no primeiro fim de semana de junho. No Brasil, a mobilização está à cargo da Rede Mãos Dadas. Esse ano haverá a décima quinta jornada.

Um dos princípios da campanha é fazer com que, por meio da oração, os cristãos trabalhem em rede, em parceria, em favor da infância.

De acordo com o Rev. Elben Cesar, "a oração é a ferramenta mais eficaz e o recurso mais precioso. O Mutirão de oração pelas crianças e adolescentes em risco é um bom exercício para que a igreja saia de si mesma, olhe para fora e intervenha no mundo dos pequenos, invadindo o terreno onde imperam pobreza, violência, desamor, fragilidade e trevas, e lutando para resgatar crianças feitas à imagem e semelhança de Deus."

É com enormes satisfação que anunciamos a parceria da Rede FALE com a Rede Mãos Dadas para a promoção do Mutirão de oração em favor da criança e adolescente em situação de risco. Queremos incentivar todos os membros de ambas as redes à somar forças nessa corrente de oração e ação na defesa dos pequeninos.

Nos links abaixo é possível encontrar material para mobilizar seu grupo ou igreja em torno da campanha. É altamente recomendável que todas as atividades sejam registradas em fotos e relatos. O resultado desse material deve ser enviado para o e-mail bonstratos@maosdadas.org.

Leia mais:

+ Hotsite do Mutirão de Oração 2010 - guia de Oração 2010, artigos, notícias, vídeos, músicas, estatísticas.

Fonte: Revista Ultimato

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Conselho pede a Lula prioridade para as políticas de juventude

O novo colegiado do Conjuve, que tomou posse em março, foi recebido pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 4ª Reunião Extraordinária do Conselho. Na ocasião, o Presidente recebeu um documento no qual o Conjuve solicita seu empenho na aprovação da PEC da Juventude, a convocação, ainda em 2010, da 2ª Conferência Nacional de Juventude, e uma agenda pública para apresentação do balanço sobre as realizações do governo federal na temática, nos marcos do Ano Internacional da Juventude, realizado em 12 de agosto.

A posse dos novos conselheiros da sociedade civil e a eleição da mesa diretora ocorreram em março, durante o 2º Encontro Nacional de Conselhos. O secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude, Danilo Moreira, e o secretário nacional adjunto da juventude da União Geral dos Trabalhadores, João Marcos Vidal, foram eleitos respectivamente para a presidência e vice-presidência do Conselho. Além deles, 80 conselheiros da sociedade civil foram empossados.

Reunião Extraordinária estabelece prioridades para 2010

A 4° Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Juventude - CONJUVE teve início no dia 08/04 de 2010, no Palácio do Buriti, Brasília/DF. As atividades iniciaram com um minuto de silêncio em referência às vítimas da tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, no início da semana. A Gestão (2010/2011) tem no primeiro ano de mandato grandes desafios: incidir as Políticas Públicas de Juventude – PPJ’s nas campanhas eleitorais; e projetar para o próximo governo presidencial os avanços já alcançados pelo Conselho.

O momento se estruturou na troca de experiências e apresentação do acúmulo de informações feito pelas coordenações das comissões e demais conselheiros que renovaram suas representatividades no CONJUVE. Igualmente, foi importante para os novos conselheiros que expuseram seus anseios e expectativas, tendo na oportunidade a possibilidade de ampliar suas concepções sobre os propósitos e finalidades do conselho.

A mesa diretora finalizou o momento fazendo um balanço geral das falas, respondendo às indagações surgidas e fazendo os encaminhamentos.

Oficina de comunicação define diretrizes de ação junto ao Conjuve

No dia 07 de abril ocorreu uma Oficina de Comunicação, destinada aos coordenadores das comissões e aos integrantes da Comissão de Comunicação. O objetivo desse encontro foi revisar, compactuar e planejar novas ações e atividades relacionadas à comunicação.

Foram definidas algumas metas de comunicação: articular e dar visibilidade aos trabalhos das comissões, fortalecer a ação pública interna e externamente, operacionalizar e executar pactos e necessidades relacionadas à gestão da comunicação pelo Conjuve.

As principais dificuldades levantadas pelo grupo foram referentes à comunicação interna; indefinição da identidade do Conjuve e dificuldades do controle social. As primeiras ações definidas foram: reformulação do site e do boletim, perfil atualizado do profissional de comunicação capaz de atender às novas demandas e encaminhamentos do Conselho.

Fonte: Boletim do Conselho Nacional de Juventude - Edição nº 012

+ Veja a lista dos integrantes do Conjuve:Lista dos integrantes do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE).

+ Veja a íntegra do texto entregue ao Presidente da República pelo Conselho Nacional de Juventude

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O desafio de viabilizar as empresas estaduais de saneamento

Lançado há 17 meses, plano nacional de saneamento não decola

Por Samantha Maia

Anunciado em novembro de 2008 como uma grande oportunidade para as empresas estaduais de saneamento, o programa que previa a entrada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como sócio das companhias para ajudá-las a melhorar sua gestão ainda não saiu do papel. Levou um ano para ser aprovado pelo Conselho Curador e hoje está em fase de regulamentação na Caixa Econômica Federal (CEF), além de aguardar orientações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Enquanto isso, os recursos para projetos de saneamento continuam sobrando nos cofres da CEF. Em 2009, foram contratados R$ 1,6 bilhão, enquanto o orçamento era de R$ 4,6 bilhões. Além dessa diferença, o valor dos contratos caiu em relação a 2008, quando foram contratados R$ 3,7 bilhões.

Algumas companhias já manifestaram interesse pelo Fundo de Investimento em Cotas (FIC-FGTS), nome dado ao programa. A CEF não informa quais são os agentes alegando cláusula de confidencialidade, mas a informação extraoficial é de que seis empresas já se cadastraram para participar. O receio das companhias, porém, é de que o plano não seja viabilizado este ano por conta do calendário eleitoral, atrasando ainda mais os investimentos.

A principal finalidade do FIC é sanar as contas das empresas estaduais e assim possibilitar a captação direta dos recursos disponibilizados pelo FGTS. Há um saldo de R$ 7,6 bilhões a serem aplicados em 2010 no setor, dos quais R$ 3 bilhões são restos do orçamento de 2009 não contratados. É um contrassenso, já que a área carece de R$ 13,5 bilhões de investimentos por ano durante 20 anos, pelos cálculos da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Segundo Walder Suriani, superintendente executivo da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (Aesbe), ainda há muitas dúvidas sobre o programa, principalmente a respeito de como se daria a participação acionária do FGTS. “Não ficou claro se haveria ingerência do governo federal nas empresas, se serão contratados novos gestores, tudo isso precisa ser esclarecido”, diz ele.

Newton de Lima Azevedo, vice-presidente da Abdib, avalia que o processo de implementação do programa é complicado, por isso a demora, e o programa acabou caindo num período complicado de mudança de governo. “Há uma preocupação de ele não ser usado politicamente, por isso está sendo levado com cuidado”, diz.

A Cosanpa, empresa estadual de saneamento do Pará, está dentro do perfil de companhia a ser beneficiada pelo programa. O Estado possui apenas 50% da população abastecida com água encanada e 36% com coleta de esgoto. Por operar no vermelho, desde 1998, a Cosanpa não faz captação direta de recursos. Os investimentos dependem da captação do governo estadual. Com um programa de investimento em andamento, a meta da empresa é chegar em 2014 com equilíbrio financeiro, e o FIC seria um instrumento interessante neste processo. “É mais uma alternativa de aporte de recursos, mas falta detalhamento”, Eduardo Ribeiro, presidente da Cosanpa.

Ele também acredita, porém, que o programa só deve deslanchar em 2011. “A decisão tem de partir dos Estados, que são os controladores das companhias, e estamos em ano de mudança por conta das eleições”, diz.

A Casal, companhia de saneamento de Alagoas, há 20 anos sem capacidade de endividamento, é outra interessada no FIC. Até o momento, não tinha procurado a Caixa porque estava inadimplente com o pagamento de tributos federais. Em fevereiro, porém, conseguiu ajustar suas contas por meio dos benefícios fiscais aprovados em 2009 (Refis). Segundo a assessoria de imprensa, a empresa deve buscar agora os instrumentos disponíveis no mercado, incluindo o FIC.

Em Pernambuco, a empresa estadual de saneamento Compesa tem capacidade de endividamento e não pretende buscar o FIC no momento. O presidente da empresa, João Bosco, avalia que, independentemente desse programa, o setor deve aos poucos conseguir acessar os recursos disponíveis. “O setor como um todo, incluindo as empresas, os governos, os fornecedores e os financiadores, não estava preparado para uma retomada aquecida dos investimentos, e por isso há a dificuldade para acessar os recursos.”

Fonte: Valor


sábado, 17 de abril de 2010

Rede FALE no Paraná discute participação na "Marcha para Jesus 2010"

Por Marcus Vinicius Matos*

Em reunião no próximo domingo, dia 18 de abril, membros da Rede FALE no Paraná discutirão suas pautas de ação e expectativas para as próximas atividades do grupo. O ponto de encontro será na cidade de Curitiba, no vão central do Museu Oscar Niemayer.

Dentre os motivos de oração que o grupo coloca para esta reunião estão o apoio à Rede FALE em Campo Largo - cidade próxima a Curitiba - e aos irmãos do centro de treinamento Monte Horebe; bem como a atuação da Rede na campanha "Pró-Conselho de Juventude e Políticas Públicas de Juventude do Paraná", onde a Rede FALE é representada por Lays Gonçalves.

Além disso, o grupo organiza uma campanha de arrecadação de roupas e alimentos não perecíveis para os atingidos pelas chuvas no Rio de Janeiro e uma possível participação no Fórum Jovem de Missão Integral, que ocorre no dia 23 de abril, na Igreja Presbiteriana Central. Outro ponto de pauta de destaque é a participação do grupo na "Marcha Para Jesus 2010", que ocorrerá em Curitiba.

Na comunidade Ning da Rede FALE Paraná, Patrícia Geovana comenta suas preocupações com a Marcha: "É importante participar com o objetivo de sermos o contra-ponto, no sentido de estarmos ali para FALAR, denunciar, ORAR pelos problemas de nossa cidade, pois isso é uma atitude cristã". A Rede já tem uma experiência prévia no evento, quando participaram da "Marcha Para Jesus" em 2009, apresentando os problemas sociais de Curitiba em cartazes, faixas, banners e distribuindo o cartão Ore&Envie sobre saneamento ambiental.

Para Douglas Rezende, articulador estadual da Rede no Paraná, a participação tem um objetivo claro. "Na Marcha para Jesus nossa idéia é a da participação no sentido de denúncia social, dentro de uma visão de responsabilidade social cristã. Vamos marchar com Jesus pelo órfão, pela viúva e pelo estrangeiro. Os versículos finais de Mateus 25 são a base para nossa participação", defende.

Segundo Sarah Nigri, articuladora da Rede FALE no Espírito Santo e membro do comitê Pró-conselho de Juventude no estado, esse tipo de atuação é de fato importante e um desafio a fé cristã evangélica. “Precisamos reforçar no meio evangélico a noção de responsabilidade social do cristão e esclarecer que lutar pela justiça e pelos direitos dos excluídos não é uma questão de ‘caridade’, mas parte de nossos deveres como seguidores de Cristo”, diz.

A Rede FALE atua nacionalmente promovendo campanhas de defesa de direitos nos temas de Políticas Públicas de Juventude e Saneamento Ambiental. Além disso, promove atividades de conscientização e mobilização da juventude evangélica em todo o país.

*Marcus Vinicius Matos é secretário executivo da Rede FALE e mestrando em Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Veja também:
+ Leia o artigo "Só Jesus Expulsa os demônios das pessoas - ou de como fui engolido pela baleia" sobre a participação da Rede FALE na "Marcha para Jesus 2005", no Rio de Janeiro.


quinta-feira, 15 de abril de 2010

ÁGUA POLUÍDA MATA MAIS QUE VIOLÊNCIA, DIZ ONU

cartao O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês) traz um alerta muito importante: o consumo e o uso de água não tratada e poluída matam mais do que todas as formas de violência, incluindo as guerras. Mais de 1,8 bilhão de crianças com menos de cinco anos de idade morrem todo ano em decorrência da falta de qualidade da água e de saneamento básico. O estudo, divulgado no Dia Mundial da Água(22 de março) em Nairóbi, capital do Quênia, na África.

Segundo o documento intitulado “Limpar as águas: um enfoque em soluções de qualidade da água “ denuncia que as crianças são as principais vítimas por falta de água tratada, com o assombroso número de uma morte no mundo a cada 20 segundos. Achim Steiner. diretor da Unep, disse que"Se o mundo pretende... sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto".

No Brasil, o problema está longe de se diferente, e alguns números são assustadores:

  • Cerca de 130 pessoas morrem todos o dias por doenças relacionadas com o problema de falta de tratamento de água.
  • Na última década, cerca de 700 mil internações hospitalares ao ano foram causadas por doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento.
  • Somente em 2005 foram mais de 900 mil pessoas internadas.
  • Se o esgotamento sanitário atingisse os 80% da população em 2010, a expectativa de vida do brasileiro passaria de 68,6 anos em 2002, para 69,8 anos em 2010.
  • 65% das internações em hospitais de crianças com menos de 10 anos são provocadas por males originados da deficiência ou da inexistência de esgoto e água limpa.
  • No Brasil, em 2004, o acesso à rede de esgoto era de 4% da população rural e 53% da população urbana.
  • Entre 1995 e 1997, 342 mil crianças brasileiras com menos de cinco anos morreram vítimas de doenças relacionadas à falta de higiene.

Desde 2007 o FALE mobiliza-se em torno da temática de Saneamento Ambiental, que tem como alvo garantir esse direito tão fundamental.

sábado, 10 de abril de 2010

Evangélicos tentam ajudar vítimas dos deslizamentos no Rio

por Lissânder Dias

Enquanto os governos do Rio de Janeiro ainda tentam resgatar sobreviventes dos deslizamentos de terra causados pelas fortes chuvas, igrejas e organizações evangélicas se veem assustadas devido à proximidade da tragédia e se esforçam para socorrer as famílias. Elas abrem suas portas para abrigar as vítimas, arrecadam alimentos, donativos e material de saúde.

É o caso da Igreja Presbiteriana Betaninha, em Niterói (a cidade mais atingida). Em um comunicado por e-mail, a igreja destaca que as doações são de “extrema urgência”. “Por isso, anotem e levem as doações até nossa igreja, que em seguida repassará ao posto oficial da prefeitura”, diz a mensagem. Missionários da organização Jovens com uma Missão (Jocum) trabalham sem parar no morro do Borel, localizado no bairro Tijuca, na zona norte do Rio, para encaminhar desabrigados e assisti-los em suas necessidades básicas. A Igreja Batista Itacuruçá, também localizada no Borel, está arrecadando doações.

Já o Exército de Salvação montou equipes de emergência para atuarem em alguns bairros do Rio e em Niterói (mais precisamente no morro do Bumba, um antigo lixão onde moram cerca de 200 pessoas). O Exército de Salvação está também convocando os cristãos para que se unam em oração no próximo domingo (11/04) em favor dos seus funcionários e voluntários que estão ajudando as vítimas. “Deus pode usá-los para serem meios de conforto e esperança para aqueles que não possuem mais nada para servir de apoio”, diz o major Teófilo Chagas.

Em carta publicada na internet, o teólogo Ariovaldo Ramos confessa que em situações como esta é difícil receber consolo. “Não há consolo possível. Nessa hora, retoma-se a coragem, fertiliza-se a esperança, e a gente retoma a vida, mas consolo… difícil!”

A Igreja Batista do Rio Comprido, em Santa Teresa, Rio, que também sofre com os deslizamentos, começou a acolher pessoas e arrecadar donativos. “Desde ontem temos mantido contato direto com a comunidade e a igreja abriu seu templo para acolher desabrigados. Os membros da igreja abriram suas casas e acolheram muitas pessoas, tanto para dormir, quanto com alimentação. Conseguimos edredons, mas não colchões para todos”, relata o pastor Clemir Fernandes.

A Rede SOS Global, especializada em emergências como essa, lançou a campanha SOS Rio e montou uma base de socorro em São Gonçalo, onde 40 casas foram destruídas. A coordenação está arrecadando medicamentos, fraldas para bebê e geriátricas, leite, material de limpeza e de higiene pessoal, além de cobertores. Toda a ajuda será canalizada pelos departamentos de missões de duas igrejas parceiras da rede em São Gonçalo.

O temporal que provocou a tragédia no Estado do Rio começou no final da tarde de segunda-feira (5). A capital e a região metropolitana praticamente ficaram paralisadas na terça-feira. Somente nesse dia, choveu mais do que o esperado para todo o mês, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Os números mais atuais da Defesa Civil do Estado informam que a quantidade de desabrigados em municípios das regiões metropolitana, Baixada Fluminense, Baixada Litorânea e Serrana é de 3.262, enquanto que o total de desalojados já soma 11.439 pessoas. Somente na capital, são cerca de 5 mil desabrigados.

Veja mais:

+ Ajude a ajudar as vítimas das enchentes
• Exército de Salvação: www.exercitodesalvacao.org.br
• Rede SOS Global: newsletter@sosglobal.org.br
• JOCUM Borel: www.jocumborel.org.br

+ Veja como fazer doações para vítimas das chuvas no Rio de Janeiro
http://noticias.uol.com.br